A data exacta da instituição desta irmandade é uma interrogação, pois a maior parte do arquivo desapareceu, possivelmente na mesma voragem devastadora que levou absolutistas e liberais a destruírem os documentos existentes na sede do concelho.

Há quem aponte a era de 1513 ano que esta gravada numa pedra sepulcral na igreja. O que parece fora de dúvidas é que foi das primeiras a ser fundada no País.

Os autores das misericórdias do Algarve opinam que a sua fundação é anterior a esta data, devido a ter sido a terra importante, pois foi praça forte, com primordial valor na defesa do nosso território.

Em recente publicação, o ano de 1500 é apontado como o da sua fundação, No dicionário Geográfico do padre Luís Cardoso, informa se: - « não tem casa de misericórdia, mas tem uma a albergaria na qual recolhem pobres e dão esmolas e enterram os pobres da freguesia».

Em 1755 informa um padre dessa vila que ignora a existência da albergaria e a firma que a misericórdia não tem hospital.

Em 1841, diz Silva Lopes que a vila tem casa de misericórdia com fracos rendimentos. A controvérsia existente deve ser motivada pela menor ou maior importância desta santa casa em varias épocas todos os anos, no dia da «visitação da santa Isabel» faziam eleição das pessoas que haviam de servir no dia seguinte.

No arquivo da santa casa, figura impresso e encadernado um compromisso da Misericórdia de Lisboa, pelo qual a primeira se devia reger - é datado de 1806.

Os irmãos que deviam fazer parte da mesa eram quinze e eleitos da seguinte maneira - da vila - seis de primeira (de onde era escolhidos o provedor, tesoureiro e secretario) e três de segunda. Do monte - três de primeira e três de segunda. Os irmãos de primeira tinham também a designação de oficiais (profissões liberais) . e os de segunda irmãos mecânicos(trabalho braçal).

 

Era na casa do despacho, em volta de uma mesa redonda, que se reuniam os irmãos como manda o compromisso. Nas eleições, e para beneficiar de espaço, a mesa era transportada para a igreja e aí se realizavam as sessões.

Afonso Madeira Corvo a quem nos referimos noutras oportunidades, foi um benemérito desta santa casa. O provedor, Manuel António Torres, num apontamento que deixou, refere-se com certeza curiosidade a este irmão, dizendo: - foi sem duvida talvez desta vila, veja-se inscrição que esta na porta piquena sta caza da campa da sepultura que esta nesta matriz desta vila.

O que na altura restava da campa desapareceu. Num apanhado, que o mesmo provedor organizou para se saber as obrigações que tinham para com os irmãos defuntos escreveu: - Afonso Madeira Corvo deixou esta santa casa umas casas na Rua do açougue que servem de celeiro, com obrigação de trinta missas por sua alma (paga foro, ano de 1719 com vencimento pelo Natal).

O referido provedor, que dedicou muito trabalho em prol desta instituição reorganizou o tombo, apanhado os foros em documentos de 1664 e 1720. Propriedades rústicas e urbanas, tanto na vila como no concelho, foram doados a Misericórdia que por sua vez as aforou. As doações eram normalmente feitas em troca de missas ditas por alma dos doadores.

Nos fins do século XVIII e princípios do seguinte, conheceu a santa casa um período áureo. Para isso contribui o sargento-mor José de Brito Magro, que exerceu as funções de provedor e também de secretario, durante vários anos.Quando faleceu, em 12 de Maio de 1824, foi sepultado na igreja, cuja campa rasa se encontra entre a sua filha, Ana Jacinta Roza, falecida em 1808 e a de Martin Vilão, a que já nos referimos.Em inventário organizado em 30 Dezembro de 1832, contavam, como bens da Misericórdia, um cálix com patena, «culher» e uma coroa de Santa Isabel, tudo de prata, e um resplendor do Senhor Jesus, também de prata. As imagens eram as seguintes as seguintes: - crucifixo que também serve a tumba e outro mais antigo, Santa Isabel, São João e «Magdalena», Ece Homo e outra do senhor Morto.

Em inventário posterior (1880), não aparece indicada a imagem de «Magdalena», mas sim a N. ª S.ª da soledade. Em 1793/94, levantou-se no seio da irmandade grande polémica, por causa das «Endoenças».Existiu uma carta de sua Majestade doando a esta Santa casa os bens possuía, de conformidade com com o Decreto de 15 de Maio 1800.

Juntamente, encontrava-se uma relação desses bens.Em sessão de 4 de Junho de 1848, acorda a irmandade unanimemente em que fossem compostas e retocadas as bandeiras, bem como as imagens Sta. Isabel, São João e do senhor.Há uns anos, ainda existiam duas bandeiras que nos pareciam de valor icongráfico. Em 1862, devido a irregularidades no «acarreto» dos defuntos e depois de acalorado debate, ficou estabelecido por acórdão de 4 de Julho:Haverá duas escalas permanente e feitas logo após a eleição de cada ano;A primeira destinava-se ao serviço de bandeira e compunha-se do escrivão e irmão mais velho -conduziam a bandeira velha, cada um em seu mês, por turno;A segunda destinava-se ao serviço de tumba e compreendia todos os irmãos da vila. Quatro deles faziam o acarreto dos defuntos na tumba e eram abonados individualmente de vinte reais Por cada enterro.

A bandeira jamais podia ser levada por não irmãos. Em 1827, a Misericórdia passou por um período difícil.As inundações de 1876, provocadas pelo Guadiana, causaram, como já referimos grandes problemas a irmandade.Em 24 Dezembro desse ano, reúnem-se sacristia da Real Capela de nossa senhora da Conceição. Aberta a sessão, o provedor Justo António Torres faz saber que, visto os fracos fundos da santa casa para os gastos que tem fazer na mesma, em vista dos distúrbios causados pela cheia nos dias 6, 7 e 8, achava muito justo que se dirigissem a todas as Santa casada Misericórdia do Reino, solicitando uma esmola a fim de minorar os males que a mesma sofreu, o qual foi aprovado e resolveu-se enviar circular a todas Misericórdias.

Em 16 de Abril de 1877, a irmandade volta a reunir no mesmo local e por convocação do mesmo provedor que lhe faz saber, achando-se S. domingos o visconde do mesmo titulo, se deveria recorrer a sua filantropia pedindo-lhe, por meio de uma comissão, esmola para fins o da pronta reedificação da Santa casa, o que por todos foi aprovado.

A comissão ficou assim constituída: -- Manuel António Torres, escrivão, António Joaquim Botelho, tesoureiro, e João Cesário Torres, irmão , e, por se terem oferecido, José Gomes Brandão, José Vasco da Silva e Pedro José Lopes.

O fidalgo contactado contribuiu com cem mil réis. Algumas congéneres enviaram as suas esmolas, incluído uma dos Açores, o que é sem dúvida uma nota simpática a Registar.

HISTÓRIA DE SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ALCOUTIM

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